Tem asma? Andar de montanha-russa resolve

Até perdi o ar! (Ou não?)
Você conhece o prêmio Ig Nobel? Entregue sempre no comecinho de outubro em uma cerimônia na Universidade de Harvard, nos EUA, é o Oscar para as descobertas científicas mais estranhas do ano (que “primeiro fazem as pessoas rir, depois pensar”). Ou seja: bem o que a gente aqui do Ciência Maluca gosta. Fresquinho da edição deste ano, o estudo que levou o prêmio na categoria Medicina foi o dos pesquisadores Simon Rietveld, da Universidade de Amsterdam, e Ilja van Beest, da Universidade de Tilburg, ambas na Holanda, que descobriram que os sintomas da asma podem ser tratados com… passeios de montanha-russa.
Eles levaram 25 mulheres que sofrem de asma a um parque de diversões e, depois de umas voltinhas no brinquedo, testaram a qualidade respiratória de cada uma. E viva, as voluntárias sentiam menos dificuldade para respirar após os loops e spins da montanha-russa do que antes da aventura. Quando o carrinho ia começar a andar, o cenário era ruim: o estresse emocional negativo (no caso, medo) e a pressão sanguínea atingiam seu ápice – o que prejudica a respiração. Mas, logo após o passeio, o estresse emocional positivo (aquela energia boa que sentimos) e o ritmo cardíaco aumentavam, o que facilita o trajeto do ar.
Para pensar: será que algodão doce é bom contra diabetes, o kamikaze ajuda quem tem labirintite, o tiro ao alvo melhora a visão ou algo assim? (Outros vencedores do Ig Nobel 2010 você confere aqui no blog – e também na revista – logo mais!)
Anúncios

TV a cabo deixa as pessoas infelizes

AH, que alegria… (not!)
Não viajou no feriado? Fuja do sofá, pelo bem do seu coraçãozinho. “Ver TV é a atividade de lazer mais importante na sociedade moderna. Isso sugere, portanto, que, para muitas pessoas, a televisão é uma fonte importante de bem-estar”, começa um estudo de pesquisadores das universidades de Zurich e de Basel, na Suíça, que foram atrás de descobrir se ter um montão de canais ao alcance do controle remoto deixa as pessoas mais felizes ou não. “Particularmente, espera-se que ter um quadro maior de opções aumente (ou ao menos não diminua) a felicidade, já que permite que o indivíduo corresponda suas preferências com o que é fornecido”, dizem os caras. Mas não é por aí. Analisando dados de pesquisas governamentais (feitas entre 1995 e 2003, com cerca de 72 mil pessoas de 37 países da Europa), eles descobriram que as pessoas “se declaram menos satisfeitas com a própria vida quando expostas a mais canais” e que, portanto, “o efeito de ter um número maior de canais disponível não é benéfico”. “Isso sugere que muitas pessoas vivem um problema de autocontrole quando o papo é assistir TV” – e deixam de viver “experiências valiosas” para ficar em frente à telinha.

Só acreditamos nos cientistas quando a notícia é ruim

Mocinho ou vilão? VILÃO
É fato: os cientistas estão com a moral lá embaixo. (Pobrezinhos.) Um estudo feito por uma equipe de pesquisadores dos EUA sugere que as pessoas frequentemente não levam a sério erejeitam as opiniões dos cabeças da ciência. Mas com um pequeno porém: a não ser que a notícia seja ruim. Aí o medo fala mais alto, a gente dá um crédito e se entrega aos caras.
Divulgar que uma vacina é totalmente segura, por exemplo, não vai convencer os maisdesconfiados de plantão. Mas espalhar que ela tem terríveis efeitos colaterais e pode até matar certamente vai afastar todo mundo. Daí o estudo, que foi publicado em setembro no periódico Public Understanding of Science, conclui que, na melhor das hipóteses, “os esforços dos cientistas para influenciar a opinião pública têm um efeito limitado”.
O resultado é baseado numa pesquisa de opinião feita com 1.475 pessoas (todas da Califórnia, nos EUA) para ver se eles confiavam no que pesquisadores diziam sobre os riscos das operações de exploração de petróleo no Golfo do México (as entrevistas foram feitas bem na época que esse era o assunto do momento). As análises mostraram que as pessoas tendiam a desconsiderar grande parte do que os estudos sobre a segurança das operações apontavam. “Exagero”, para muitos. As únicas partes em que a maioria realmente levava a sério eram as que pintavam os riscos da coisa como maiores do que o esperado. Aí sim o perigo parecia real.
E por quê? O estudo sugere que o público tende a suspeitar dos motivos da ciência ao pensar, por exemplo, que pesquisas governamentais devem ter interesses políticos por trás delas e que, pior, essas “supostas” pesquisas podem representar tentativas de nos controlar, seja alterando nosso comportamento ou nos “obrigando” a fazer coisas que não pretendíamos.

Homens mentem duas vezes mais do que mulheres

Um estudo feito pela 20th Century Fox Home Entertainment lá no Reino Unido revelou que os homens contam, em média, seis mentirinhas por dia. Ou 42 por semana. Ou 2184 por ano.
Já as mulheres mentem apenas três vezes ao dia. Ou 21 por semana. Ou 1092 por ano.
A mentira mais comum é a mesma para os dois sexos: “não tem nada de errado, eu tô bem”. Depois dessa, o ranking masculino inclui lorotas como “esse vai ser o meu último drink” e“não, você não fica gorda nessa roupa”. Já o top 10 de mentiras femininas inclui “nem foi tão caro assim” e o clássico “estou com dor de cabeça”.
Podem acreditar. Juro que esse post não é uma das minhas mentiras do dia. Ou é?

Religião faz o cérebro encolher

O CIÊNCIA MALUCA adora uma boa banalidade – e não vê problema algum nisso. Mas o papo hoje é um pouquinho mais sério.
Tem um milhão de estudos por aí que apontam uma série de benefícios da religião para o cérebro. Mas, na ciência (ainda mais quando a gente inclui o “maluca” no meio), pouca coisa éunanimidade.
Pesquisadores da Universidade de Duke, nos EUA, observaram os cérebros de 268 homens e mulheres com mais de 58 anos e notaram que o hipocampo – região envolvida, principalmente, na formação de memórias – era significativamente menor naqueles que se identificavam com grupos religiosos específicos ou que tinham passado por experiências religiosas de mudança de vida – aquela coisa de estar quase morrendo e “nascer” de novo, por exemplo.
Por quê? Hum, ninguém tem certeza ainda. Mas a principal hipótese do estudo é que certos aspectos da religião causem, em algumas pessoas, um estado constante de estresse.
Um indivíduo que faz parte de uma minoria religiosa e sofre preconceito por isso vive num estado de nervos mais delicado. Também pode acontecer com o sujeito que vive com o medo de ser punido por Deus por isso ou aquilo, ou então com o que tem ideias conflitantes com certos dogmas da religião. Ao longo do tempo, a liberação constante dos hormônios do estresse diminuiria o volume do hipocampo.
Tenso, né?

Donos de gatos estudam mais do que os de cachorros

Uma pesquisa da Universidade de Bristol, na Inglaterra, é um novo capítulo da guerra entre cães e gatos. Ou melhor, entre donos de cães e gatos. O estudo avaliou 2.524 casas e constatou que, em 47% das que tinham gatos, morava pelo menos uma pessoa com ensino superior completo. Mas o número caía para 38% quando o animal doméstico era um cachorro.
Aí vem a explicação: a hipótese dos pesquisadores é que o excesso de trabalho, possivelmente associado a empregos mais qualificados (por sua vez, resultados de uma formação superior), torna ter um cachorro meio impraticável — afinal, eles exigem mais atenção do que os felinos.

Ratos machos gostam de doces; fêmeas preferem cocaína


Oi, tô muito louca
Em uma pesquisa da Universidade da Califórnia (EUA), ratinhos foram treinados parapressionar duas alavancas: uma para ganhar doces e outra para receber uma pequena dose de cocaína. Então, foram liberados para escolher à vontade entre ambas as ofertas. Segundo o líder do estudo, Kerry Kerstetter – que apresentou o trabalho na Neuroscience 2010 (um congresso anual do pessoal da neurociência, que aconteceu na semana passada lá mesmo na Califórnia) –, as fêmeas pressionaram a alavanca da cocaína “significativamente” mais vezes do que os machos, que escolheram “principalmente” os doces. Quando os pesquisadoresdobraram a dose de cocaína disponível, entretanto, ambos os sexos passaram a ir para cima da droga. “Mas as fêmeas ainda preferiram a cocaína mais do que os machos”, contou Kerstetter.
Se isso indica que a mulher tem uma tendência natural maior ao vício? Parece que sim. “Estudos sobre a dependência de cocaína nos humanos mostram que as mulheres se viciam mais rápido do que os homens, e também que aguentam períodos menores sem a droga“, aponta o pesquisador. Os ratinhos não mentem: “tudo indica que o sexo feminino é mais propenso do que o masculino a sacrificar até a comida por pequenas doses de cocaína“.

Postura correta faz bem para o homem, mas nem tanto para a mulher

Bem melhor assim
Mulheres, nada de endireitar a coluna! Sentar com as costas retinhas pode melhorar o humor e até o raciocínio, como mostra um estudo feito por pesquisadores da Universidade do Colorado(EUA), mas só entre os homens.
Depois de fazer um teste de QI (falso), 60 voluntários foram instruídos a passar três minutossentados ou em postura correta ou levemente curvados. Nesse tempo, receberam feedback (falso) dizendo que tinham ficado entre os que se deram melhor no teste. Passados os três minutos, todos voltaram às suas posturas naturais, preencheram um questionário de humor e resolveram exercícios de matemática.
Entre os homens, os que foram instruídos a sentar corretamente se saíram melhor nos exercícios matemáticos, estavam mais bem humorados e mais felizes com o resultado no outro teste, o falso de QI, do que os que tiveram que passar os três minutos curvados.
Até aí, tudo dentro da lógica a que estamos acostumados.
Mas entre as mulheres a história foi outra. Foram justamente as que ficaram um pouquinho curvadas, e não as com pose de miss, as que acabaram mais satisfeitas com a performance no teste de QI, mais alegres e mais bem-sucedidas nos desafios de matemática.
Por que essa diferença? Os pesquisadores especulam que, como ao longo de toda a História as mulheres foram postas abaixo dos homens na “escala social”, a postura curvada talvez pareçamais natural para elas, por ser associada a um status mais baixo, e as deixe mais confortáveis. Também, o estudo lembra que manter a coluna ereta exige que a mulher “empurre” o peito para a frente e dê mais destaque aos seios – o que pode fazê-las se sentir inibidas e inseguras.
(Antes que a comunidade médica venha brigar com a gente, vale dizer: brincamos, mas oCIÊNCIA MALUCA não está incentivando as moças a andarem curvadas. Tá?)